Tempos difíceis têm sido estes em que cada vez mais temos nos apegado às nossas aglomerações eclesiásticas e temos nos justificado nelas.
Este convívio salgado nos enche, como é realmente natural acontecer, de dogmas e costumes estatutários que regem cabeças humanas pensantes carnais e não cabeças humanas pensantes espiritualizadas.
Vivemos num tempo em que o relacionamento natural e saudável com o irmão onde o significado profundo do pão e do vinho estariam bem presentes se transformou nas “estratégias para cercarmos uns aos outros para que não saiamos do convívio social da igreja (instituição)”.
Não nos incentivamos mais à cercarmos a nós mesmos, uns com e para com os outros num levante tremendo contra as milícias de nossas próprias carnes. Como seria bom viver uma mudança de atitude em que nós permitíssemos Jesus Cristo de Nazaré ministrar de tal forma que ele mesmo pudesse derrubar as entranhas da nossa carne numa limpeza geral e contínua. O problema é que se manter no tratamento de Deus é penoso demais, não por mais nada além de ser porque amamos demasiadamente o mundo.
Ao contrário de tudo isso, existe e permanece entre nós a prática do mascarar nossos problemas e doenças da alma, e estes têm encontrado abrigo onde menos se esperaria, no ceio dos nossos relacionamentos, do nosso convívio entre irmãos. A coisa tem se tornado tão avessa a Deus que para nós é comum conviver com a nossa prática de persuasão do próximo incutindo-os de nossa doutrina cristã puramente racional e sistemática em vez da presença poderosa do espírito e leitura permanente e eficaz da palavra. O nosso falar de convencimento “crentês” é tão próximo do erro quanto quando damos espaço ao pecado. Falo tudo isso em reflexão sobre o texto que li à pouco.
I Coríntios 2
01. Eu mesmo, irmãos, quando estive entre vocês, não fui com discurso eloqüente nem com muita sabedoria para lhes proclamar o mistério de Deus.
02. Pois decidi nada saber entre vocês, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado.
03. E foi com fraqueza, temor e com muito tremor que estive entre vocês.
04. Minha mensagem e minha pregação não consistiram de palavras persuasivas de sabedoria, mas consistiram de demonstração do poder do Espírito,
05. para que a fé que vocês têm não se baseasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus.
06. Entretanto, falamos de sabedoria entre os maduros, mas não da sabedoria desta era ou dos poderosos desta era, que estão sendo reduzidos a nada.
07. Pelo contrário, falamos da sabedoria de Deus, do mistério que estava oculto, o qual Deus preordenou, antes do princípio das eras, para a nossa glória.
Daí eu me preocupo com as palavras que tenho falado, instruído, ensinado e convicções pelas quais tenho lutado. Nelas há sabedoria humana ou demonstração do Espírito de Deus? Seria eu responsável pela alienação e não salvação de muitos?
E só pra constar,
Alienação: estado da pessoa que, tendo sido educada em condições sociais determinadas, se submete cegamente aos valores e instituições dadas.

Luís Machado
